sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Coronavírus: cearense que mora na China diz que “máscaras e álcool se esgotaram em poucos dias"

Morando na China há quase três anos, o tradutor cearense Lucas Dasaieve, de 29 anos, viu a própria rotina ser alterada no último mês diante do surto do novo coronavírus, do tipo 2019-nCov. Até o momento, o país contabiliza 170 pessoas mortas e mais de 8 mil infectadas pela doença, que também chegou a outros 18 países. 

O cearense de Limoeiro do Norte mora em Shenzhen, que fica a cerca de 1.000 km de Wuhan, epicentro da transmissão. Segundo ele, os estoques de álcool, máscaras e luvas descartáveis se esgotaram rapidamente nas farmácias, após a divulgação rápida de notícias e de orientações do Governo chinês.

“Consegui comprar logo no primeiro dia, mas tive que ir em cinco farmácias. Hoje, raramente você consegue. Na minha cidade, que é a quarta maior da China, não encontro mais em lugar nenhum”, diz. A situação também “complicou” porque os estoques de lojas de produtos paramédicos foram requisitados para Wuhan.

O tradutor relata que passa a maior parte do dia em casa, só saindo para abastecer a geladeira. Quando vai às ruas, os cuidados são maiores. “Tento cobrir o corpo o máximo que eu posso. Coloco jaqueta longa por cima, casaco, luvas, gorro e levo um tubinho de álcool em spray para se precisar tocar em campainhas ou maçanetas”, exemplifica.

Disseminação do vírus

Lucas considera que um fator capaz de favorecer a contaminação pelo coronavírus são os hábitos de higiene dos chineses, que só começaram a utilizar máscaras após comunicados oficiais e a veiculação de vídeos orientando a como usá-las. “Alguns não entendem que a máscara não é para proteger só a eles, mas a outras pessoas. Quando vão espirrar ou tossir, eles tiram”, conta.

Para ele, não há otimismo quanto ao futuro. Atualmente, por causa do Ano Novo chinês, grande parte da população viajou às cidades-natais para rever as famílias. “Quando passar o feriado, todo mundo volta e muitos vão espalhar os casos em todas as áreas do país”, acredita o cearense, que tem três amigos que viajaram a locais próximos a Wuhan.

Diante das “incertezas de informações”, Dasaieve decidiu sair de Shenzhen, nesta sexta-feira (31), para viver em Portugal “até que a situação fique sob controle”. “O Governo achou que ia controlar tudo até domingo (26), mas estenderam o feriado de Ano Novo por mais 10 dias. Meu receio é continuarem estendendo esse prazo e eu ficar só Deus sabe quantas semanas trancado em casa, correndo risco”, projeta.

Com informações do Diário do Nordeste.

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